Lebução, Fiães e Nozelos

Lebução está situada na margem esquerda do rio Calvo, encontrando-se no extremo noroeste do concelho de Valpaços, o que equivale a dizer que delimita o concelho e o separa do de Chaves.

Acredita-se que Lebução remonte ao I ou II milénio a. c., tendo sido um pequeno povoado do final da Idade do Bronze ou II Idade do Ferro. Tal facto pode ser aferido pelo achado invulgar que teve lugar perto de Lebução, nos finais do séc. XIX e que é sobejamente conhecido como “Tesouro de Lebução”.

“As joias da II Idade do Ferro de uso masculino, como os torques (colares) e as viriae (braceletes) do tesouro de Lebução, aproximam-se pela função e pela gramática decorativa do mundo céltico”. (Museu Martins Sarmento, 2006)

Na pré-nacionalidade, este território era defendido por castelos remotos de origem castreja, como o de Monforte.

Refere Augusto Pinho Leal em relação à evolução histórica da freguesia: “É situada sobre um monte, onde existe um castello que foi muito forte, e do monte e do castello lhe provem o nome. Está sofrivelmente conservado (o castello) e ainda em 1863 tinha governador e uns poucos de veteranos. Teve alcaide-mor, no tempo da sua importância, como posição militar. O povo d’esta freguezia tinha obrigação de defender o castello contra os castelhanos; pelo que os nossos reis lhe concederam muitos privilégios, sendo um dos maiores, não pagarem Siza das compras e trocas que fizessem”.

Por volta do séc. XIII, a Administração das terras de Monforte estava entregue aos “Braganças” tendo, em 1273, D. Afonso III concedido o primeiro foral a Monforte, concedendo-lhe o título de Vila. Nos meados do séc. XIV, D. Dinis transformou a fortificação em castelo e, mais tarde, D. Manuel concedeu-lhe foral novo, em Santarém, a 1 de Junho de 1512.

Com o decorrer dos anos, a população de Monforte foi diminuindo e, em 1557, contava apenas com 14 fogos. Devido ao acréscimo populacional, o concelho foi extinto no início do regime liberal tendo sido a sua sede transferida do Castelo para Lebução, uns anos antes.

Devido ao seu desenvolvimento comercial e ao elevado número de habitantes, Lebução, em 1836, passou a ser sede do concelho de Monforte de Rio Livre, usufruindo de tais regalias até 1853.

Lebução foi um curato de apresentação do Reitor da comenda de S. João Baptista da Castanheira. Pertenceu até 1853 ao concelho de Monforte de Rio Livre, transitando então para Valpaços.

Fiães fica situada num dos pontos mais elevados das terras de Monforte, encontrando-se num planalto a cerca de três quilómetros da margem esquerda do rio Calvo, afluente do rio Rabaçal.

O seu povoamento é muito remoto estando comprovado, inclusivamente, desde tempos pré-históricos.

Acredita-se junto à aldeia, o Fragão do Mau Nome, que é formado por vários penedos aglomerados, constitua uma caverna, talvez da época musteriense. Noutro ponto, podem encontrar-se ainda vestígios de uma cidadela romana, com as suas cintas de muralhas e algumas calçadas. Terá sido um dos povoados mais importantes dos romanos, fundamental na defesa do seu território devido à posição estratégica que ocupa (praticamente inacessível).

Esta antiga freguesia de S. Miguel de Fiães era abadia de apresentação do abade de Sonim, no termo da Vila de Monforte de Rio Livre e passou mais tarde a reitoria.

Pertenceu ao concelho de Monforte de Rio Livre até 31 de Dezembro de 1853. Com a extinção deste, passou para o de Chaves e, mais tarde, em 24 de Outubro de 1855, para o de Valpaços.

A “parrochia Sancti Michaelis de Feanes” terá surgido muito antes do séc. XV e englobava parte das actuais áreas de Lebução e de Tinhela.

Nesta zona o minério do volfrâmio foi bastante explorado, estando, atualmente, todas as minas em inatividade.

O povoamento de Nozelos foi muito precoce também, de acordo com os vestígios arqueológicos que surgiram na sua área. No limite com Fiães, terá existido uma grande cidade romana, que a revista “Aquae Flaviae” de 1995, através do que resta daquele tempo, caracterizou da seguinte forma: “Esta fortificação foi com certeza das mais importantes desta região de Monforte. Superior à cidadonha de Bobadela e rival da Tróia de Mairos. Tem uma superfície superior a dez mil metros quadrados, e o muro que a rodeava e fechava, era construído de pedra solta e rija argamassa.

Foi construída na cumeada dum outeiro que avança sobre o ridente e aprazível vale de Tinhela e Nozelos, sendo por esse lado quase inacessível, ou pelo menos de dificílimo acesso, em virtude da muralha correr aí sobre um flanco de enormes rochas cortadas a prumo (…)”.

A primeira referência escrita sobre Nozelos aparece nas Inquirições de 1258. Denominava-se, então, “Luzelos” ou “Nuzelos”.

A paróquia é muito antiga e sob a invocação de Nossa Senhora da Expectação. Foi curato de apresentação do Reitor de Oucidres.

Na povoação, além da Igreja Matriz existe uma Capela erigida em honra de Santo Anastácio. Há ainda um cruzeiro e umas alminhas, na Rua do Pêro, próximo da Casa solarenga da família Montalvão.

Fonte:

“Monografia de Valpaços”, A. Veloso Martins, 2ª edição, Dez. 1990, edição da Câmara Municipal de Valpaços

Com a reorganização administrativa do território das freguesias, publicada no suplemento ao Diário da República, 1.ª série, n.º19, de 28 de janeiro de 2013, as freguesias de Fiães e Nozelos foram anexadas à freguesia de Lebução, formando a freguesia de Lebução, Fiães e Nozelos.

Saiba mais em obras disponíveis na Biblioteca Municipal de Valpaços, nomeadamente:

“Moinhos”, Vol. 1, “Fontes de Abastecimento de Água”, Vol. 1, “Geomonumentos”, “Relógios de Sol”, “Chaminés”, “Lagares Cavados na Rocha” e “Carta Arqueológica”, todos de Adérito Medeiros Freitas;

“Valpaços-Lo-Velho”, de José Lourenço Montanha de Andrade;

“Valpaços Rostos do Tempo”, de José António Soares da Silva;

“Monografia de Valpaços”, de A. Veloso Martins;

“As Freguesias do Distrito de Vila Real Nas Memórias Paroquiais de 1758”, de José Viriato Capela, Rogério Borralheiro e Henrique Matos;

Informações úteis

Área da freguesia – 34,94 Km2
Número de habitantes – 784
Aldeias anexas:
Ferreiros
Moreiras
Pedome
Distância a Valpaços – 25 Km
Colectividades: Associação Recreativa, Cultural e Melhoramentos de Lebução
Orago – S. Nicolau
Festas e Romarias:
São Marcos (25 de Abril)
S. Nicolau (Agosto)
Santa Marinha (3.º domingo de Julho)
N.ª Senhora dos Remédios (2.º domingo de Setembro)
N.ª Senhora do Perpétuo Socorro (1.º domingo de Agosto)
N.ª Senhora da Expectação (18 de Dezembro)
Divino Senhor dos Milagres (data móvel, no Verão)
Feiras:
Mensais – último domingo de cada mês
Anual – dia 3 de Novembro

Património cultural e edificado

Igreja Matriz – Lebução
Capela de Santa Marinha – Ferreiros
Capela de N.ª Senhora dos Fortes – Lebução
Capela do Anjo da Guarda – Moreiras
Casa das Majestades – Lebução
Solar Sotto Mayor – Lebução
Igreja matriz de Fiães
Cruzeiros (dois)
Capela de N.ª Senhora do Perpétuo Socorro
Nicho
Castro do Muro
Fontes (Fonte da Senhora, Fonte do fundo do povo)
Igreja matriz de Nozelos
Cruzeiros (dois)
Capela de N.ª Senhora do Perpétuo Socorro
Nicho
Castro do Muro
Fontes (Fonte da Senhora, Fonte do fundo do povo)

Outros locais de interesse turístico

Sepulturas antropomórficas – Ferreiros
Minas de volfrâmio desactivadas – Fiães
Fragão do Mau Nome – Fiães
Rio Calvo (zona piscícola e de banhos) – Nozelos
Ninhos de cegonhas – Nozelos

Constituição e dados da Junta de Freguesia

Partido – PS
Presidente – Artur Jorge Teixeira Alves (PS)

Morada – Lebução, 5430-180 Lebução
Telefone – 276 958 118
E-mail – juntadefreguesialfn@gmail.com

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